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Mestrados Integrados
Código: 200030

Laboratório de Projecto II

Curso: Arquitectura (Regime pós-laboral)

Ano curricular: 3      Duração: 1S

Créditos: 10.5 ECTS       Nível:       Tipo:Obrigatória

Idioma: Português/

Pré-requisitos:

Docente(s):

Duarte Cabral de Mello, Jorge Fava Spencer, Maria Manuel Godinho de Almeida, Cristina Veríssimo, José Neves, Pedro Ravara, Nuno Arenga

Enredeço web:

1. Tipologia de Ensino/Horas de Contacto:

Teóricas: 21.0 Total: 147.0

2. Objectivos:
Os licenciados em Estudos Arquitectónicos poderão vir a integrar-se no mercado de trabalho com competências suficientes para colaborar de modo eficiente nas áreas de apoio e ao desenvolvimento e concretização de projectos, designadamente nas seguintes:
•   Desenho e representação gráfica, digital ou analógica, bi ou tridimensional;
•   Controlo ambiental;
•   Pesquisa documental em tecnologias, história da arte, da arquitectura e do urbanismo;
•   Controlo de obras
 
EM ARQUITECTURA, O PROJECTO constitui-se como o modo privilegiado de investigar e de pensar a transformação e o uso do mundo construído, ou, no limite, como forma de pensar o mundo, como ele é, ou como poderia ser se não fosse como é. 
 
Os projectos, como avaliações do construído e como propostas para a sua transformação devem ser informados de uma visão crítica e lúcida não só sobre as regras, os modelos e os hábitos que os informam, como, também, sobre a sua estabilidade, a sua pertinência e a sua adequação. 
•   Que regras, que hábitos e que modelos de projectar deveremos preservar, se é que devemos? Porquê?
•   Com que consciência e com que conhecimento da segurança e do risco de cada um deles?
•   Com que critérios estabelecemos os tempos de concepção, de construção, de manutenção e de substituição daquilo que projectamos?
•   Com quem?
•   Para quem?
Mas a operacionalidade deste conjunto de interrogações como suporte de projecto exige estudo, saber sedimentado e trabalho regular.

3. Programa:

EM TODO O MUNDO, É NOTÓRIA A PRESENÇA CRESCENTE DO INTERESSE PELA ARQUITECTURA. Mas este interesse, muito mediatizado, não se tem feito acompanhar da uma crítica capaz de avaliar, com rigor, da justeza das respostas profissionais às circunstâncias e às necessidades de quem as usa, ou, no limite, as sofre.

Se admitirmos que deixaram de existir aspectos menores, ou menos relevantes, na produção, transformação, manutenção e sobrevivência do Estabelecimento Humano, parece indispensável que passemos a dispor dos conhecimentos necessários para podermos avaliar da pertinência e da justeza dos projectos de Arquitectura.
Os aspectos ditos estritamente técnicos, parecem mais facilmente parametrizáveis mas têm sido informados por convicções cada vez menos sustentáveis, como por exemplo a da inesgotabilidade dos recursos materiais, ou a confiança de que qualquer erro ou risco poderá ser resolvido pela evolução imparável do progresso tecnológico.
Os aspectos culturais têm sido tomados como matéria avessa à aplicação de qualquer processo de crítica sistemática e de racionalização, a ponto de nos impedirem de constatar as disfunções mais óbvias, designadamente aquelas que decorrem da perpetuação nos nossos projectos de tipologias de arquitectara e de estruturas de cidade formuladas para circunstâncias sociais e económicas muito diferentes daquelas que presidem hoje à nossa vida, como por exemplo as que informaram a Carta de Atenas que, em Portugal e um pouco por toda a parte, configuram determinantemente a construção e o urbanismo correntes.
•     Uma cidade precisa realmente de espalhar pelo território os espaços do lazer, do habitar e do trabalho? E, no limite, de continuar esse processo, afectando desagregadamente esses tipos de espaços por grupos de habitantes, com base na idade, no sexo, ou nas actividades vitais de cada um deles?
•     Precisou algum dia?
•     Uma habitação – casa ou apartamento – é, por definição e para sempre, um lugar onde não se faz trabalho produtivo?
•     As crianças têm de estar todas no infantário ou na escola? Os velhos em lares de idosos? Os loucos nos hospícios? As minorias em bairros próprios ou em centros de acolhimento?
•     A vitalização de áreas urbanas envelhecidas, vazias, ou desafectadas deverá ser feita à custa de construção para usos mais correntes? Ou permite e sugere que se imaginem estruturas sem precedente?
•     espaço público é o que sobra das construções? Ou pode e deve ser pensado/projectado como um habitáculo integral? Tal como o fazemos, quando projectamos uma escola, uma fábrica ou um hospital?
E, por fim mas não em último lugar, habitarmos em cidades assegura sempre que beneficiemos da urbanidade que, em teoria, elas nos oferecem? Ou seja, podemos passar a sentirmo-nos em casa, onde quer que habitemos?

4. Bibliografia

Bibliografia principal:

ABBOTT, Edwin A. (1884) Flatland, a Romance of Many Dimensions. Oxford: Basil Blackwell, 1978. Existe uma versão portuguesa: Flatland - Uma aventura em muitas dimensões. Lisboa: Assírio & Alvim, 2006.
AICHER, Otl (1982) Cocina para cocinar, final de una doctrina arquitectonica. MIELKE, Joaquín Chamorro, Trad.. Tít. orig.: Die Küche zum Kochen. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, S.A., 2004.
AICHER, Otl (1991) the world as design, ROBINSON, Michael, trad.. Berlin: Ernst et Sohn, 1994) pág. 179~189.
FORD, Edward R. (2009) Five Houses, Ten Details. New York: Princeton University Press, 2009)
FOUCAULT, Michel       (1967) “Des Espaces Autres”. In AMC, Revue d’Architecture (Paris, Publications du Moniteur, 1984) págs 46~49. 
LE CORBUSIER (1941) La Charte d’Athènes. Paris: Editions de Minuit, 1957).
LE CORBUSIER (1959) “If I had to teach you Architecture”. In Architectural Design, Volume 29, 1959. Reimpresso por SHARP, Dennis, Ed. (1978) In The Rationalists – Theory and Design in the Modern Movement. London: The Architectural Press, 1978.
LITTLEFIELD, David (2008) Metric Handbook, Third Edition. London: Architectural Press, 2008.
LYNCH, Kevin (1981) A Theory of good City Form. Cambridge, Massachusetts and London: The MIT Press, 1981)                  
MITCHELL, William J. (2003) Me++ The Cyborg Self and the Network City. Cambridge, Massachusetts and London: The MIT Press, 2003).
NEUFERT, Ernst (2004) Arte de Projetar em Arquitetura. Editorial Gustavo Gili, S.A. 2004.
NIETZSCHE, Friederich (1873~76) Untimely Meditations. HOLLINGDALE, R. J., trad.. Cambridge, London, New York, New Rochelle, Melbourne, Sidney: Cambridge University Press, 1983•
OLGYAY, Victor (1963) Design with Climate; Bioclimatic approach to architectural regionalism (Princeton, New Jersey, Princeton University Press, 1963)       
RYKWERT, Joseph (2000) The Seduction of Place, The History and Future of the City. Oxford University Press, 2004)
VIEIRA DA SILVA, Augusto (1950) Plantas Topográficas de Lisboa. Lisboa: Oficinas Gráficas da Câmara Muncipal de Lisboa, 1950.

Bibliografia complementar:

5. Avaliação:
COMO OS TEMPOS DE PROJECTO ESCOLAR são muito diferentes do que seriam os tempos reais para o seu desenvolvimento, apreciação e eventual concretização, a avaliação dos projectos desenvolvidos pelos alunos na Faculdade serve sempre de pretexto para explorar aquilo que cada um deles poderia ter de “resolver” em situações reais que, com base neles, os docentes procurarão caracterizar.
A Avaliação Contínua, feita regular e diariamente nas aulas, será confirmada ou corrigida periodicamente, mediante a avaliação pública das etapas principais dos projectos a desenvolver durante o ano lectivo, por júris alargados de docentes da Faculdade, que poderão integrar Docentes ou Profissionais exteriores a ela.  
A Avaliação Contínua, terá também em conta a presença dos alunos nas aulas, a qual deverá ser igual ou superior a 60% do tempo lectivo.   
Os Exames de Recurso, de Melhoria e os da Época Especial serão provas autónomas dos trabalhos desenvolvidos ao longo do ano lectivo. Estas provas serão integralmente realizados na Faculdade, durante as sessões que vierem a ser fixadas para esse fim, e culminarão com a sua avaliação pública por um júri nomeado para esse fim.
Em todas estas instâncias de avaliação, os conhecimentos e a maturidade na disciplina de projectar serão aferidos pela demonstração:
da amplitude dos conhecimentos teóricos, técnicos e históricos (30%);
da capacidade de detectar problemas de Arquitectura, nas suas diferentes escalas, e de formular programas capazes de resolver esses problemas (25%);
da capacidade de projectar Arquitectura e de a criticar (25%);
da capacidade de representar claramente ideias, programas e projectos, sustentados pelo conhecimento dos sistemas de fabrico, de manutenção e de substituição do construído – real ou projectado (20%).
 
Com base nessa aferição, os pesos relativos dos exercícios no processo de Avaliação Contínua serão os seguintes: 
1º Exercício 10%                               10%
2º Exercício                    90%
       Fase de trabalho de grupo        35%
       Fase de trabalho individual       55%         
                                                             100%

6. Estimativa total de trabalho:

294.0 horas


 
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