A maioria dos idosos que vivem em lares ou noutros equipamentos sociais gostavam de passar mais tempo com os netos e escolhem passear e brincar como as atividades que mais gostariam de fazer com eles. As conclusões surgem num estudo levado a cabo por uma investigadora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), no âmbito da dissertação do mestrado em Política Social, concluído em 2011, feito com base em entrevistas aos 13 idosos da Santa Casa da Misericórdia de Alenquer.
De acordo com o trabalho da investigadora Cristina de Oliveira, do total de idosos inquiridos, 84,6 por cento tem netos e, destes, a maioria vê os netos duas vezes por semana, revelando que durante o tempo que não tem visitas não mantém contacto com a família (61,5 por cento) ou com os netos (76,9 por cento).“No que diz respeito ao contacto com os netos, constatamos que ele ainda é muito diminuto, facto frequentemente justificado com a inexistência de um telefone público no equipamento social, que lhes permita fazer chamadas para o exterior”, revela a investigadora, acrescentando que 69,2 por cento dos avós gostava de passar mais tempo com os netos, contra 30,8 por cento que dizem que não.
Questionados sobre que atividades fazem com os netos quando estes os vão visitar, a maioria (62,5 por cento) apontou conversar, enquanto 37,5 por cento escolhe brincar.
No entanto, quando a pergunta feita é sobre que atividades gostavam de fazer com os netos, conversar surge em último lugar (12,5 por cento), com primazia para passear (50 por cento) e brincar (37,5 por cento).
“O facto das atividades mais desejadas se encontrarem de alguma forma relacionadas com o exterior” tem que ver com o facto de haver “uma associação automática entre os netos e a passada juventude dos avós, tendendo estes a realizar atividades mais ativas que satisfaçam os netos e que lhes recordem a razão de viver atualizando as suas memórias”, salienta Cristina de Oliveira.
A maioria (84,6 por cento) admite ter uma relação familiar próxima, tanto com filhos como com os netos, “classificando-a maioritariamente com base no afeto e apreço sentidos e demonstrados por ambos e não com base no número de contactos estabelecidos”.
Recebem visitas com frequência (76,9 por cento), a maioria (60 por cento) das quais feitas por familiares, mas quando questionados sobre se gostavam que as visitas fossem mais frequentes, 53,8 por cento não teve dúvidas em afirmar que sim, apesar de haver 30,8 por cento para quem é indiferente.
Mais de 60 por cento (61,5%) afirma receber a visita dos netos, mas quando questionados sobre a frequência das visitas, verifica-se que “é muito espaçada, acontecendo de três em três meses, fator de alerta para o desaparecimento das relações intergeracionais”.
A investigadora conclui que “o afastamento intergeracional (…) remete as crianças a um limitado conhecimento intergeracional e condena os idosos a uma eutanásia social”. Defende, por isso, que é “crucial educar para as relações intergeracionais, para que este fenómeno não desvaneça e acompanhe os dois agentes [avós e netos] ao longo da sua vida”.
